sexta-feira, 28 de abril de 2017

Samhain - A Morte do Deus (parte 1)

O Sabbath de Samhain (pronuncia-se Sou-ein), festejado em 31 de outubro no hemisfério Norte e em 1º de maio no hemisfério Sul, é o Ano-Novo dos Bruxos. Esse dia sagrado é conhecido por inúmeros nomes, entre eles: Halloween, Hallowmas, Véspera de Todos os Sagrados, Véspera de Todos os Santos, Festival dos Mortos e Terceiro Festival da Colheita, é o mais importante dos oito Sabbaths dos Bruxos. Para muitos, talvez, o mais conhecido seja Halloween. Para nós, Bruxos, é a festa na qual honramos nossos ancestrais e aqueles que já tenham partido para o País de Verão. Essa é a noite em que o véu que separa o mundo material do mundo espiritual encontra-se mais fino e o contato com nossos ancestrais torna-se mais fácil. É também o momento tradicional para celebrar a última das colheitas e se preparar para o Inverno. O poder de magia pode ser sentido no ar, nessa noite. O Mundo dos Espíritos Ancestrais se liga com o nosso conforme a luz do Sol baixa e o crepúsculo chega. Os espíritos daqueles que já partiram para o outro plano são mais acessíveis durante a noite de Samhain. 
Samhain ocorre no pico do Outono. É o tempo do ano em que o frio cresce e a morte vaga pela Terra. O Sol está enfraquecendo cada vez mais rapidamente, a sombra cresce e as folhas das árvores estão caindo, numa preparação ao Inverno que chegará. Essa é a última colheita, o inicio da estação da cidra,o tempo em que os antigos povos da Europa marcavam e sacrificavam seus gados e preservavam sua carne para o Inverno, pois esses animais não podiam sobreviver em grande escala nesse período do ano devido ao frio vindouro. Só uma pequena parte, os mais viris e fortes, era mantida para o ano seguinte. 
A versão cristã do Samhain é o Dia de Todos os Santos (1o de novembro), que foi introduzido pelo Papa Bonifácio IV, no século VII, para substituir o festival pagão. O Dia dos Mortos (que cai a 2 de novembro) é outra adaptação cristã ao antigo Festival dos Mortos. é observado pela Igreja Católica Romana como um dia sagrado de preces pelas almas do purgatório.
Em várias regiões da Inglaterra acredita-se que os fantasmas de todas as pessoas destinadas a morrer naquele ano podem ser vistos andando entre as sepulturas à meia-noite de Samhain. Pensava-se que alguns fantasmas tinham natureza má e, para proteção, faziam-se lanternas de abóboras com faces horrendas e iluminadas, que eram carregadas como lanternas para afastar os espíritos malévolos. Na Escócia, as tradicionais lanternas Hallows eram esculpidas em nabos. 
Um antigo costume de Samhain na Bélgica era o preparo de "Bolos para os Mortos" especiais (bolos ou bolinhos brancos e pequenos). Comia-se um bolo para cada espírito de acordo com a crença de que quanto mais bolos alguém comesse, mais os mortos o abençoariam. 
Outro antigo costume de Samhain era acender um fogo no forno de casa, que deveria queimar continuamente até o primeiro dia da Primavera seguinte. Eram também acesas, ao pôr-do-sol, grandes fogueiras no cume dos morros em honra aos antigos deuses e deusas, e para guiar as almas dos mortos aos seus parentes. 
Samhain é a noite em que o Velho Rei morre e a Deusa Anciã lamenta sua ausência. O Sol está em seu ponto mais baixo no horizonte, de acordo com as medições feitas através das antigas pedras da Britânia e da Irlanda, razão pela qual os Celtas escolheram esse Sabbat, em vez de Yule, para representar o Ano-Novo. Para os Antigos Celtas, esse dia sagrado dividida o ano em duas estações, Inverno e Verão. Samhain era o dia no qual começavam o Ano-Novo celta/druida, por isso era um tempo ideal para términos e começos. É o dia ideal para honrar os mortos, pois nele os véus que separam os mundos estão mais finos. Aqueles que morreram no ano passado e aqueles que estão reencarnando passam através dos véus e portais nesse dia. Os Portões das Sidhe estão abertos e nem humanos nem fadas precisam de senhas para entrar e sair. 
Em Samhain, o Deus finalmente morre, mas sua alma vive na criança não-nascida, a centelha de vida no ventre da Deusa. Isto simboliza a morte das plantas e a hibernação dos animais, o Deus torna-se então o Senhor da Morte e das Sombras. Samhain é um festival do fogo e é a entrada para a parte sombria e fria da Roda do Ano. É em Samhain que as fogueiras são acesas para que os espíritos do outro mundo possam encontrar os caminhos para partirem ao Outro Mundo (País de Verão). 
Samhain é o tempo de lembrarmos com amor aqueles que partiram para o outro lado, por isso é chamado de a Festa Ancestral. Toda a família, ou grupo, se reúne para reverenciar os que já partiram. É muito comum nesse Sabbath se realizar uma ceia em silêncio, conectando-se com aqueles que já cruzaram os portais dos mundos. É tradicional também deixar um lugar à mesa para os ancestrais e lhes servir pratos como se eles estivessem presentes à ceia. 
Para aqueles que não têm família para festejar e celebrar seus ancestrais, alimentos geralmente são deixados do lado de fora de casa, na porta de entrada, em homenagem aos familiares e amigos desencarnados. 
É também tradicional deixar uma vela acesa na janela da casa para ajudar a guiar os espíritos ao longo de sua caminhada ao nosso mundo para que possam encontrar o caminho de volta.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Ao longo da história da humanidade, mulheres de várias culturas reuniam-se em círculos para reverenciar o Feminino, adorar deusas, realizar rituais, celebrar seus ciclos e ritos de passagem, compartilhar histórias, saberes e sentimentos e apoiarem-se. Contudo, essas práticas foram, com o tempo, perdidas, principalmente pela instauração do pensamento patriarcal.

A postura social contemporânea, habitualmente fundamentada no sistema patriarcal vigente, é de distanciamento, exclusão, sobreposição de poderes e falta de contato corporal respeitoso. São fatores que desvalorizam os saberes de alguns grupos em detrimento do estabelecimento de poderes de outrem, controlando e silenciando corpos. 

Principalmente com o advento de movimentos feministas e de resgate do Sagrado Feminino, essas heranças do patriarcado têm sido, aos poucos, desconstruídas, sendo retomado o pensamento circular e holístico de culturas matrísticas ancestrais, em que se valorizavam o sentimento de pertença, o estabelecimento de vínculo e a qualidade da presença espontaneamente experimentadas em vivências em rodas. É trazida novamente a importância e o poder curativo da união de mulheres, da sororidade, do empoderamento pelo autoconhecimento e das vivências em conjunto.

"O pensamento patriarcal é essencialmente linear, ocorre num contexto de apropriação e controle, e flui orientado primariamente para a obtenção de algum resultado particular porque não observa as interações básicas da existência. Por isso o pensamento patriarcal é sistematicamente irresponsável. O pensamento matrístico, ao contrário, ocorre num contexto de consciência da interligação de toda a existência. Portanto, não pode senão viver continuamente no entendimento implícito de que todas as ações humanas têm sempre conseqüências na totalidade da existência" (MATURANA, 2004, p. 47). 

Quando mulheres voltam a reunir-se em círculo, elas têm a oportunidade de mudar esses paradigmas, valorizando o reconhecimento, o respeito e o sentimento de pertença. Segundo Mirella Faur, o círculo tem o poder de coletar, concentrar e direcionar energias para efetuar mudanças e ajudar nas transformações individuais e coletivas. É um meio de criar um espaço seguro para praticar a comunicação aberta, compartilhar saberes e sentimentos, criar relações baseadas na confiança e no respeito, curar feridas da alma e trocar experiências, reconhecendo a interdependência com o Todo e buscando uma comunhão de valores e objetivos.

"Os círculos de mulheres resgatam e ativam a ancestral conexão com o sagrado, explorando, criando e desenvolvendo formas específicas para expressá-lo em conjunto, mas levando em consideração as visões e sugestões individuais. Os encontros proporcionam um espaço seguro, não encontrado na cultura contemporânea, para apoiar e incentivar o desenvolvimento e fortalecimento pessoal. (...) Os círculos de mulheres podem tecer uma teia firme e ampla para ensinar e divulgar as qualidades femininas de conexão, colaboração, apoio e compaixão, contrabalançando os comportamentos de competição, agressividade, autoridade e autonomia. Em outras palavras, os círculos de mulheres podem resgatar a consciência lunar e telúrica (as práticas da Tenda Lunar), em equilíbrio e interação harmoniosa com a mentalidade e o comportamento solar e marciano (características do Império do Sol)" (FAUR, 2011, p. 56-58).

Independentemente das atividades de cada círculo (realização de rituais, partilha de conhecimentos e sentimentos, desenvolvimento pessoal e espiritual etc.), Mirella Faur sugere que se prime pela igualdade, respeito e responsabilidade, sempre proporcionando o mesmo espaço para as mulheres que do círculo participam, podendo existir uma condutora ou organizadora. Assim, de círculo em círculo, mulheres vão se curando e curando o mundo, desconstruindo os padrões outrora impostos.

"Os Círculos de Mulheres são formados um a um. Cada Círculo expande, para mais mulheres, a experiência de pertencer a um deles. Cada mulher, em cada Círculo, que se transforma através de sua experiência nele, leva estas mudanças para outras relações. Até que, em um determinado dia, um novo Círculo se formará e ele será o Milionésimo Círculo - aquele que faz a diferença - e nos levará a uma era pós-patriarcal" (BOLEN, 2003, p. 35-36).

REFERÊNCIAS

BOLEN, J. S. O Milionésimo Círculo. São Paulo: TRIOM, 2003.
FAUR, M. Círculos Sagrados para Mulheres Contemporâneas. São Paulo: Editora Pensamento, 2011.
MATURANA, H. R.; VERDEN-ZOLLER, G. Amar e Brincar: fundamentos esquecidos do humano. São Paulo: Palas Athena, 2004.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Ser Bruxa ...


Ser Bruxa significa viver e agir na própria essência antiguissima e imorredoura; seguindo aquela luz divina que é a primordial faísca da chama.
Não existe um traço característico que identifique uma bruxa.
Ela ama a natureza e vive sentindo mais do que pensando ou imaginando. Adora a vida em todas as suas formas, reza para os deuses esquecidos porém sempre vivos e sente-se uma rainha, ajuda com palavras gentis, vinga-se se é ofendida, perdoa com arrebatamento, não aceita imposição, mas quase sempre se impõe.
É um espírito livre aprecia a liberdade alheia. Pode ser caprichosa ou perseverante, porém é sempre sábia e confiante de sua magnitude e seu desmedido poder.
Enfurece-se com o mal feito injustamente.
Usa sempre seu poder não pode evitar ...

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Chá para insônia

1 punhado de cravo e camomila
1 punhado de canela e tília
1 punhado de melissa ou erva cidreira
2 copos de água fervendo


Coloque a água sobre as ervas, tampe e deixe esfriar.
Beba à noite!



ORAÇÃO À DEUSA / BRUXA

Eu sou a Deusa, eu sou a Bruxa
Eu sou aquela que ilumina e protege
O poder da grande Mãe está dentro de mim
Que a Grande Mãe a Senhora do Norte, 
Encha de frutos a árvore da minha vida
Grande Deusa que habita dentro de mim
Santifica cada palavra minha e cada ato meu
Afasta cada sombra da minha vida
Ilumina todas as minhas estações
Torna-me forte na dor
Torna-me bela no amor
Que o teu nome e o teu poder 
Sejam o meu nome e o meu poder
Assim sempre foi
Assim sempre será!

domingo, 23 de abril de 2017


O aparente paradoxo entre os aspectos e naturezas das deusas celtas reflete a profunda compreensão do processo de dar/receber, nascer/morrer, começo/fim. Muitas deusas aparecem como figuras promíscuas e destrutivas, mas elas personificavam aspectos da natureza, como a fertilidade e a soberania da terra, que tinham que ser defendidas a qualquer preço para assegurar a sobrevivência dos descendentes. A criação e a destruição são processos interdependentes, existe uma ausência de vida na escuridão da terra que recebe os mortos, mas também é a terra escura que abriga e promove o desabrochar das sementes, que renascem - assim como os mortos nela enterrados – para uma Nova Vida.


sábado, 22 de abril de 2017

Chá para memória esgotada

1 punhado de alecrim
1punhado de ginseng
1 colher de chá de pó de noz moscada
2 copos de água fervendo

Coloque a água sobre as ervas, tampe e deixe esfriar.
Beba de 3 xícaras ao dia!