quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Yemanja - A Rainha do Mar

OS  ENCANTOS E A DOÇURA DE IEMANJÁ
O Brasil é orgulhoso do grande império de suas águas. Principalmente o mar, de todas as cores, matizes e luzes é o Grande Senhor da nossa costa, que penetrando por todos os lados desse imenso país, abraça nossa terra, em enseadas, golfos e baías.
Mas apesar de sua beleza, no mar há uma força maior, uma força que impera, que reina a Senhora absoluta de todas as águas, de tudo que vive na água e possa viver. Há sim, uma força que ordena e não pede, que manda e que decide sobre o vida dos pescadores, de todos que se aventurarem a entrar em seu território e de todos aqueles que têm vistas para alcançar o verde de seu mar.
Em cada canto desses mares, nas ondas dos surfistas, nas praias, nas cabanas dos pescadores, nos altos desses montes, Ela será sempre a Grande Senhora. Ninguém pode se atrever a dizer que não é vassalo servil do grande reino de Iemanjá. Porque de fato, Iemanjá é a Rainha das águas. A tranqüilidade na superfície do mar, ou a tempestade rugindo, as ondas quebrando-se sobre as embarcações ou sobre as praias, tudo é conduzido pela sua mão suprema.
Nada se altera, nada se faz ou se transforma, sem que seja sua vontade. Iemanjá de tantos poderes, de tantos nomes e tantos filhos, sempre foi exaltada por negros e brancos e seu culto se verifica de norte a sul no Brasil.
MITOLOGIA
LENDA  (Arthur Ramos)
Com o casamento de Obatalá, o Céu, com Odudua, a Terra, que se iniciam as peripécias dos deuses africanos. Dessa união nasceram Aganju, a Terra, e Iemanjá (yeye ma ajá = mãe cujos filhos são peixes), a Água. Como em outras antigas mitologias, a terra e a água se unem. Iemanjá desposa o seu irmão Aganju e tem um filho, Orungã.
Orungã, o Édipo africano, representante de um motivo universal, apaixona-se por sua mãe, que procura fugir de seus ímpetos arrebatados. Mas Orungã não pode renunciar àquela paixão insopitável. Aproveita-se, certo dia, da ausência de Aganju, o pai, e decide-se a violentar Iemanjá. Essa foge e põe-se a  correr, perseguida por Orungã. Ia esse quase alcançá-la quando Iemanjá cai no chão, de costas e morre. Imediatamente seu corpo começa a dilatar-se. Dos enormes seios brotaram duas correntes de água que se reúnem mais adiante até formar um grande lago. E do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os seguintes deuses: Dadá, deus dos vegetais; Xango, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa do rio Niger; Oxum, deusa do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Orixá Okô, deusa da agricultura; Oxóssi, deus dos caçadores; Oké, deus dos montes; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã (Shankpannã), deus da varíola; Orum, o Sol; Oxu, a Lua.
Os orixás que sobreviveram no Brasil foram: Obatalá (Oxalá), Iemanjá (por extensão, outras deusas-mães) e Xango (por extensão, os outros orixás fálicos).
Com Iemanjá, vieram mais dois orixás yorubanos, Oxum e Anamburucu (Nanamburucu). Em nosso país houve uma forte confluência mítica: com as Deusas-Mães, sereias do paganismo supérstite europeu, as Nossas Senhoras católicas, as iaras ameríndias.
A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o “mundo em forma”), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá.
Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá.
Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.
Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.
Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante…, mas sempre cheia de amor para ofertar.
A bondosa mãe Iemanjá, adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.
Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. Aqui se subtrai o ensinamento de que “é dando que se recebe”.
IEMANJÁ ABRASILEIRADA
Iemanjá, a Rainha do Mar e  Mãe de quase todos os Orixás, é uma Deusa abrasileirada, sendo resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos.
É um mito de poder aglutinador, reforçado pelos cultos de que é objeto no candomblé, principalmente na Bahia. É também considerada a Rainha das Bruxas e de tudo que vem do mar, assim como é protetora dos pescadores e marinheiros. Governa os poderes de regeneração e pode ser comparada à Deusa Ísis.
Os grandes seios ostentados por Iemanjá, deve-se à sua origem pela linha africana, aliás, ela já chegou ao Brasil como resultado da fusão de Kianda angolense (Deusa do Mar) e Iemanjá (Deusa dos Rios). Os cabelos longos e lisos prendem-se à sua linhagem ameríndia e é em homenagem à Iara dos tupis.
De acordo com cada região que a cultua recebe diversos nomes: Sereia do Mar, Princesa do Mar, Rainha do Mar, Inaê, Mucunã, Janaína. Sua identificação na liturgia católica é: Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes,  Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e Virgem Maria.
Do mesmo modo que varia seu nome, variam também suas formas de culto. A sua festa na Bahia, por exemplo é realizada no dia 2 de fevereiro, dia de Nossa Senhora das Candeias. Mas já no Rio de Janeiro é dia 31 de dezembro que se realiza suas festividades. As oferendas também diferem, mais a maioria delas consiste em pequenos presentes tais como: pentes, velas, sabonetes, espelhos, flores, etc. Na celebração do Solstício de Verão, seus filhos devotos vão às praias vestidos de branco e entregam ao mar barcos carregados de flores e presentes. Às vezes ela aceita as oferendas, mas algumas vezes manda-as de volta. Ela leva consigo para o fundo do mar todos os nossos problemas, aflições e nos trás sobre as ondas a esperança de um futuro melhor.
COMO É IEMANJÁ?
Iemanjá apresenta-se logo com um tipo inconfundível de beleza. No seu reinado, o fascínio de sua beleza é tão grande como o seu poder. Ora é de um encanto infinito, de longos cabelos negros, de faces delicadas, olhos, nariz e boca jamais vistos, toda ela graça e beleza de mulher.
Outras vezes, Iemanjá continua bela, mas pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo. Como um orixá marítimo, ela é a mais prestigiosa entidade feminina dos candomblés da Bahia, recebe rituais de oferendas e grandes festas lhe são dedicadas, indo embarcações até o alto-mar para lhe atirar mimos e presentes. Protetoras das viagens e dos marinheiros, obteve o processo sincrético, passando a ser a Afrodite brasileira, padroeira dos amores, dispondo sobre uniões, casamentos e soluções amorosas. Quem vive no mar ou depende de amores é devoto de Iemanjá. Convergem para ela orações e súplicas no estilo e ritmos católicos.
Mas o que importa seus nomes, suas formas e aparência, se nada modifica a força de seu império, senão altera a grandeza do seu reinado?
Queixas são contadas a Iemanjá, esperanças dela provêm, planos e projetos de amor, de negócios, de vingança, podem ser executados caso ela venha a dar seu assentimento.
Grande foi o número de ondas que se quebrou na praia, mas maior ainda, foi o caminho percorrido pelo mito da divindade das águas. Das Sereias do Mediterrâneo, que tentaram seduzir Ulisses, às Mouras portuguesas, à Mãe D’água dos iorubanos, ao nosso primitivo Igpupiara, às Iaras, ao Boto, até Iemanjá. E, neste longo caminhar, a própria personalidade desta Deusa, ligada anteriormente à morte, apresenta-se agora como protetora dos pescadores e garantidora de boa pesca, sempre evoluindo para transformar-se na deusa propiciadora de bom Ano Novo para os brasileiros e para todos que nesta terra de Sol e Mar habitam.
DEUSA LUNAR DA MUDANÇA
A Deusa Iemanjá rege a mudança rítmica de toda a vida por estar ligada diretamente ao elemento água. É Iemanjá que preside todos os rituais do nascimento e à volta as origens, que é a morte. Está ainda ligada ao movimento que caracteriza as mudanças, à expansão e o desenvolvimento.
É ela, como a Deusa Ártemis o arquétipo responsável pela identificação que as mulheres experimentam de si mesmas e que as definem individualmente.
Iemanjá quando dança, corta o ar com uma espada na mão. Esse corte é um ato psíquico que conduz a individualização, pois Iemanjá separa o que deve ser separado, deixando somente o que é necessário para que se apresente a individualidade.
Sua espada, portanto, é um símbolo de poder cortante que permite a discriminação ordenativa, mas que também pode levar ao seu abraço de sereia, à regressão e à morte.
Em sua dança, Iemanjá coloca a mão na cabeça, um ato indicativo de sua individualidade e por isso, é chamada de”Yá Ori”, ou “Mãe de Cabeça”. Depois ela toca a nuca com a mão esquerda e a testa com a mão direita. A nuca é símbolo do passado dos homens, ao inconsciente de onde todos nós viemos. Já a testa, está ligada ao futuro, ao consciente e a individualidade.
A dança de Iemanjá pode ser percebida como uma representação mítica da origem da humanidade, do seu passado, do seu futuro e sua individualização consciente. É essa união antagônica que nos dá o direito de vivermos o “aqui” e o “agora”, pois sem “passado”, não temos o “presente” e sem a continuidade do presente, não teremos “futuro”. Sugere ainda, que a totalidade está na união dos opostos do consciente com o inconsciente e dos aspectos masculinos com os femininos.
Como Deusa Lunar, Iemanjá tem como principal característica a “mudança”. Ela nos ensina, que para toda a mulher, o caráter cíclico da vida é a coisa mais natural, embora seja incompreendido pelo sexo masculino.
A natureza da mulher é impessoal e inerente a ela como um ser feminino e altera-se com os ciclos da lua: fase crescente, cheia, meia-fase até a lua obscura. Essas mudanças não só se refletem nas marés, mas também no ciclo mensal das mulheres, produzindo um ritmo complexo e difícil de entender. A vida física e psíquica de toda a mulher é afetada pela revolução da lua e a compreensão desse fenômeno nos propicia o conhecimento de nossa real natureza instintiva. Em poder desse conhecimento, podemos domesticar com o esforço consciente as inclinações cíclicas que operam-se a nível inconsciente e nos tornarmos não tão dependentes desses aspectos escondidos de nossa natureza semelhante aos da lua.
ARQUÉTIPO DA MATERNIDADE
Iemanjá é por excelência, arquétipo da maternidade. Casada com Oxalá, gerou quase todos os outros orixás. É tão generosa quanto as águas que representa e cobrem uma boa parte do planeta.
Iemanjá é o útero de toda a vida, elevada à posição principal da figura materna no panteão de iorubá (Ymoja). Seu sincretismo com a Nossa Senhora e a Virgem Maria lhe conferem a supremacia hierárquica na função materna que representa. É a Deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional. Ela é “toda ouvidos” para escutar seus filhos e os acalenta no doce balanço de suas ondas. Ela representa as profundezas do inconsciente, o movimento rítmico, tudo que é cíclico e repetitivo. A força e a determinação são suas características básicas, assim como o seu gratuito sentimento de amizade.
Como Deusa da fecundidade, da procriação, da fertilidade e do amor, Iemanjá é normalmente representada como uma mulher gorda, baixa, com proeminentes seios e grande ventre. Pode, também como já falamos, aparecer na forma de uma sereia. Mas, não importando suas características, ela sempre se apresentará vinculada ao simbolismo da maternidade.
Iemanjá surge nas espumas das ondas do mar para nos dizer que é tempo de “entrega”. Você está carregando em seus ombros um fardo mais pesado do que possa carregar? Acha que deve realizar tudo sozinha(o) e não precisa de ninguém? Você é daquelas pessoas que “esmurra ponta de prego” e quer conseguir seu intento nem que tenha que usar à força? Pois saiba que a entrega não significa derrota. Pedir ajuda também não é humilhação, a vida tem mais significado quando compartilhamos nossos momentos com mais alguém. Geralmente esta entrega ocorre em nossas vidas forçosamente. Se dá naqueles momentos em que nos encontramos no “fundo do poço”, sem mais alternativas de saída, então nos viramos e entregamos “à Deus” a solução. E, é exatamente nesta hora que encontramos respostas, que de maneira geral, eram mais simples do que imaginávamos. A totalidade é alimentada quando você compreende que o único modo de passar por algumas situações é entrega-se e abrir-se para algo maior.
Quando abrimos uma brecha em nosso coração e deixamos que a Deusa atue em nós, alcançamos o que almejamos. Entrega é confiança, mas tente pelo menos uma vez entregar-se, pois lhe asseguro que a confiança virá e será tão cega e profunda quando a sua desconfiança de agora. O seu desconhecimento destes valores,  escondem a presença de quem pode lhe ajudar e provocam sentimentos de ausência e distância. Não somos deuses, mas não devemos nos permitir viver à sombra deles.
RITUAL DE ENTREGA (só mulheres)
Você deve fazer este ritual numa praia, em água corrente e até visualizando um destes ambientes. Primeiro mentalmente viaje até seu útero, no momento do encontro se concentre. Respire profundamente e leve novamente sua consciência para o útero. Agora respire pela vulva. Quando se achar pronta, com o mar a sua frente, entre nele. Sinta a água acariciando seus pés, ouça o barulho das ondas no seu eterno vai-e-vem. Chame então a Iemanjá para que venha encontrá-la. Escolha um lugar onde você puder boiar tranqüilamente e com segurança. Sinta as mãos da Iemanjá acercando-se de você. Abandone-se em seu abraço, ela é mãe muito amorosa e espetacular ouvinte. Renda-se aos seus carinhos e entregue-se sem medo de ser feliz. Você está precisando revigorar sua vida amorosa, procura um emprego ou um novo amor? Faça seus pedidos e também lhe fale de todas suas angústias e aflições. Deixe que Iemanjá alivie os fardos que carrega. Ela carregará consigo para o fundo do mar todos os seus problemas e lhe trará sobre as ondas a certeza de dias melhores, portanto abandone-se à imensidão do mar e do seu amor.
Quando estiver pronta para voltar, agradeça a Iemanjá por estes doces momentos passados com ela. Então estará livre para voltar à praia, sentindo-se mais leve, viva e purificada.
OUTROS DADOS:
SAUDAÇÃO: Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba!
MINERAL: Prata e platina.
DIMENSÃO ESOTÉRICA: Ocupa o primeiro raio juntamente com a orixá Nanã.
DIA DA SEMANA; Segunda-feira.
ERVAS PARA BANHO E DEFUMAÇÃO: Jasmim, araticum-da-praia, folha-da-costa, graviola, capeba, mãe-boa, musgo marinho encontrado nas pedras marinhas, alcaparra, entre outras.
PLANETA: Lua
COR DA GUIA: Contas brancas cristalinas ou azul claras.
BEBIDAS: Água de coco, mel, água salgada ou potável, champanha e suco de suas próprias ervas e frutos.
FLORES: Rosas e palmas brancas.
COMIDAS: Canjica branca, peixe fritos, arroz, arroz-doce com mel, acaçá, pudim, etc.
FRUTOS: Mamão, graviola, uvas brancas, melancia.

Como o culto a Yemanjá é muito forte e lindo em nosso país resolvi partilhar este texto da Rosane Volpatto em homenagem a esta Deusa, que Yemanjá abençoe todos nós!

Conectando-se com Yemanjá:

"Yemanja , Senhora do Mar,
Criadora da cultura, Deusa da Fertilidade e da Renovação,
Abençoe-me trazendo proteção, fartura e paz para o meu lar
Que assim seja
E assim se faça!"







domingo, 29 de janeiro de 2012

O Deus Cornífero - um pouco de História...

A representação mais antiga que se conhece de uma divindade encontra-se na Caverne des Trois Frères, em Ariège e data do final do período paleolítico (Idade da Pedra Lascada - 1 milhão de anos atrás até 10 000 a.C).
A figura é de um homem vestido com a pele de um cervo ou veado, usando na cabeça chifres desse animal. A pele cobre todo o corpo do homem; as mãos e os pés foram desenhados como se estivessem sendo vistos por um material transparente, fornecendo assim ao espectador a informação de que a figura é um ser humano disfarçado. O rosto tem barba, mas há uma certa dúvida sobre a intenção do autor: se ele queria representar um homem-animal com máscara ou com o rosto descoberto.
O homem com chifres foi desenhado na parte superior da caverna; abaixo dele e à sua volta há representações de animais pintados de maneira magistral, característica do artista do paleolítico. Levando em conta a posição relativa das figuras, o homem ocupa uma posição dominante e está no ato de realizar uma cerimônia na qual os animais tomam parte. Embora a pintura dos animais esteja localizada onde pode ser facilmente vista por um observador, o homem com chifres só pode ser visto da parte da caverna onde o acesso é mais difícil. Esse fato sugere que um alto grau de divindade era atribuído a essa representação.
De acordo com antropóloga Margaret Murray, seu significado só pode ser compreendido pela analogia, mas os elementos são suficientes para que possamos ter quase certeza de que o homem representa o deus encarnado, prestes a realizar uma dança sagrada.
Diz Gerald Gardner em The Meaning of Withcraft: “Ele é o antigo deus fálico da fertilidade que veio dos primórdios do mundo.”
O Homo sapiens sapiens já vivia há cerca de 40 000 anos, e é o responsável por essas representações, assim como pelas pinturas nas paredes de outras cavernas como a de Lascaux, na França e de Altamira, na Espanha.
Nesse período a temperatura na Europa caia rapidamente e grandes lençóis de gelo ocupavam a Terra. A glaciação matou a vida vegetal e a sobrevivência dos clãs dependia da caça. As pinturas representavam o espírito dos animais que nossos ancestrais desejavam caçar e foram a primeira forma de magia simpática reconhecida pelos historiadores.
O homem de Ariège é provavelmente a representação do espírito das manadas, o deus encarnado, guardador de rebanhos.
No início de neolítico, os grandes lençóis de gelo retrocederam, e as sociedades nômades de caça deram lugar às sociedades sedentárias. Quando os humanos caçadores-coletores que habitavam as florestas começaram a desenvolver essas sociedades agrícolas, trouxeram consigo as antigas deidades do mundo selvagem. O deus de cornos de gamo da floresta foi transformado um deus com cornos de bode dos pastos, provavelmente pela necessidade de se domesticarem animais numa sociedade agrícola. E, nessa sociedade o deus da floresta tornou-se também o deus das colheitas.
O foco do antigo culto, no entanto, não era centrado numa forma masculina, mas numa forma feminina - A Deusa. Os primeiros ancestrais da expressão do paganismo, chamada hoje de Antiga Fé, cultuavam uma Deusa Mãe que refletia a misteriosa natureza das mulheres, a qual lhes consentia sangrar por dias sem enfraquecer e gerar outra vida humana (neste período ainda não se reconhecia a participação masculina na concepção). E, se a vida provinha da mulher que ‘engravidava dos deuses deitada ao luar’, toda a criação provinha de uma divindade feminina.
Foi apenas na Idade do Bronze que o homem descobriu fazer a relação entre o ato sexual e a fecundação.
Imagens neolíticas de figuras femininas poderosas foram encontradas em dezenas de lugares espalhados pelo planeta, como a Deusa de Willendorf, a do Rio Nilo e a impressionante estatueta de uma mulher dando á luz sentada num trono e cercada por animais, de Çatal Hüyük na Turquia, datada de 5750 a.C

A RELIGIÃO

Para os pagãos, os Deuses são a própria natureza e, por isso, a preservação dela é a essência da Religião da Deusa. Ela é onipresente da vida e em cada ser humano. A Antiga Fé não vê a divindade como algo à parte da natureza. Ela é o mundo, a terra, e todas as coisas que existem. Rios, mares, árvores, pedras são a própria divindade manifestada.
O paganismo como religião começou a tomar forma no período mesolítico e se estabeleceu definitivamente entre os povos do neolítico, cuja cultura e sobrevivência estavam diretamente ligadas à terra. Desenvolveram rituais sazonais de adoração à natureza observando a própria natureza e a trajetória do sol ao longo do ano. Tais ritos acompanhavam o ciclo das estações, a semeadura, crescimento e colheita das lavouras e fertilidade os animais.
Embora fosse a Deusa foco dos cultos, era em torno da figura do Deus que gira a Roda do Ano. Nos ritos, bem como na Religião como um todo, o Deus personifica o Sol e sua passagem pelo céu. A Deusa personifica a lua e seus ciclos, bem como toda a natureza vegetal. Ela é a mãe, ele o filho/amante; ela a semeadora, ele a semente. Ele é a caça e também o caçador. Ela dá a vida e chama para a morte.

A Roda do Ano, composta por oito rituais (Sabbaths), é uma síntese de séculos de história, desde os ritos de caça e de culto aos mortos do paleolítico, aos ritos apropriados a fertilidade da terra e dos rebanhos do neolítico. São eles:

* YULE, o solstício de inverno. A Festa de Renascimento do Sol celebra o nascimento do Deus Sol após a noite mais longa do ano. Ele passa a governar a parte escura do ano.

* IMBOLC, o 1º. Festival do Sol. Os campos são purificados e preparados para a semeadura, enquanto se celebra o crescimento da Criança Divina nascida no Yule.

* OSTARA, o equinócio de primavera, tempo da semente brotando na terra. O dia e a noite são iguais e a Criança Divina vai se tornado o jovem caçador.

* BELTAINE, o Festival da Fertilidade celebra a força vital da natureza e se acendem os fogos que vão iluminar o caminho do verão. O Deus jovem e a Deusa se unem.

* LITHA, o solstício de verão é a época do grão amadurecido. É no ápice que inicia a decadência. A Deusa passa a governar a parte clara, o Deus torna-se adulto.

* LAMMAS, o primeiro festival da colheita, comemora a união fértil dos deuses em Beltaine. O Deus adulto de Litha incia seu processo de amadurecimento.

* MABON, o equinócio de outono, celebra segundo festival da colheita. Os frutos da terra são todos colhidos e o Deus começa a envelhecer.

* SAMHAIN, o Festival dos Mortos, marca a volta da estação fria e a morte do Deus, que renascerá em Yule. Acontece em 31 de outubro, dia do Ano Novo Celta.


        A estrutura religiosa de vários povos da antigüidade foi unificada em uma única Religião pelos druidas, sacerdotes celtas. Em The Mysteries of Britain, Lewis Spence afirma que os ensinamentos druídicos surgiram de uma combinação da cultura mediterrânea neolítica com as crenças nativas da antiga Bretanha. O Culto aos Mortos, comum às crenças da Europa Setentrional, teriam sido trazidos por viajantes mediterrâneos, os homens de Long Barrow, ao litoral britânico por volta de 2000 a.C.
Entre 600 e 500 a.C os celtas invadiram a Europa e se deparam com os cultos.
      Com o início da Idade do Ferro, as ilhas britânicas ficaram isoladas e dessa forma as crenças celtas transformaram os ensinamentos importados numa religião única.
     Quando uma Roma cristianizada invadiu a Europa no sec. VII d.C, iniciou-se a conversão dos povos pagãos a nova religião do Cristo.
     Cinco séculos mais tarde, aqueles que não aderiram à nova religião (Cristianismo) passaram a sofrer a perseguição da Igreja. Mas foi no ano de 1484 que essa perseguição tornou-se oficial, com a assinatura da Bula de Inocêncio VIII, dando aos inquisidores Heinrich Krames e James Sprenger poderes de vida e morte sobre os pagãos seguidores da Antiga Fé.
      Durante 4 séculos, milhares de pessoas foram torturadas e mortas sob o pretexto de servirem ao demônio (figura a qual os seguidores da Antiga Fé), genocídio perpetrado na época em que se formavam as nações modernas.
       A Santa Inquisição transformou o Deus de Chifres no demônio católico e o Sagrado Feminino em feiticeiras malignas que deveriam ser queimadas em fogueiras.
      A Antiga Fé teria sido completamente varrida da História, não fossem os poucos que conseguiram escapar da perseguição da Igreja e levado os ensinamentos e cultos  antigos para as sombras da História.

            O paganismo desses povos foi resgatado nos séculos XIX e XX por antropólogos como Margaret Alice Murray, Gerald Gardner e Charles Godfrey Leland que escreveu, em 1899, Aradia Golpel of Witches.
            Os neo-pagãos chamam de WICCA a Antiga Fé. Mas, mesmo estabelecida como religião, a WICCA tateia no escuro a procura de suas raízes. Afinal, a pré-história nos deixou apenas resquícios de suas civilização e a História, como sabemos, sempre é escrita pelos vencedores.

           Seguindo os rastros de Fernando Pessoa, na voz de Álvaro de Campos, ao sugerir que a obra de seu mestre Caeiro é a reconstrução do paganismo, vejamos em primeiro lugar o sugestivo título, escolhido certamente não ao acaso.

Quem é O GUARDADOR DE REBANHOS?

           O título remete diretamente à pintura mítica do homem cercado de animais na Caverne des Trois Frères, em Ariège. O Guardador de Rebanhos de Caeiro é o antigo deus da fertilidade que veio dos primórdios do mundo, o Senhor da Caça e dos caçadores, o espírito que guardava as manadas e inspirava nossos ancestrais do paleolítico a pinturas como a encontrada em Ariège e Lascaux, na França, e em Altamira, na Espanha.
         As primeiras linhas do poema Eu Nunca Guardei Rebanhos remete não apenas à figura do Senhor das Manadas, mas ainda as andanças do Deus pagão pela Roda do Ano, a roda cíclica das estações que descreve o nascimento, vida, morte e renascimento do Deus.

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações

Na Roda do Ano, é na época do Samhain que acontece a morte do Deus. Dizem as lendas, poeticamente, que ‘a Criança Divina volta ao útero da Mãe, a própria Natureza’

Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.

Novamente nessas linhas Caeiro faz referência ao ciclo das estações. O pôr do sol, o esfriamento das planícies são alusões á chegada no inverno, chamado pelos pagãos de ‘a parte escura do ano’.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.

Depois de percorrer o ciclo completo das estações vem o descanso, o sossego no útero da mãe. É natural e justa pois o ciclo das estações está completo e o Deus foi semente que cresceu e planta colhida, volta a ser semente para renascer no próximo ciclo da Roda.

Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso

Caeiro fala aqui mais uma vez do Deus das manadas. Os pagão do paleolítico não apartavam o deus dos animais que o rodeavam. Ele era o próprio espírito da manada e, portanto, parte dela.

E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),

Novamente o pôr do sol, a ‘a nuvem passa a mão por cima da luz’, a alusão à proximidade do inverno, a parte escura do ano. À luz da Roda das Estações é justamente na proximidade do inverno que o Deus se torna velho. E corre um silêncio (da morte?) pela erva fora.
Por isso Caeiro ‘sente um cajado nas mãos’. O cajado do pastor ou do Deus-homem envergado pelo tempo que usa o cajado como apoio e aguarda a estação da morte?
Aqui também Caeiro olha para o rebanho e vê suas idéias, assim como o Deus está fora do rebanho e ao mesmo tempo faz parte dele.

É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
(...)
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,

Qualquer cousa natural, por exemplo a árvore antiga. Aqui Caeiro torna-se parte da Natureza, como a árvore. Mas vale lembrar que em muitas das religiões pagãs, a árvore tem um papel central: Yggdrasil era a Árvore do Mundo dos mitos nórdicos e é pela Árvore do Mundo que xamãs ‘sobem e descem’ em suas viagens visionárias.
Muitos dos deuses pagãos eram associados às árvores, como na lenda de Átis, o deus Pinheiro. Entre os celtas o carvalho era a árvore sagrada, do qual provinha o visco. Além do carvalho, os celtas possuíam um alfabeto arbóreo chamado Beth Luis Nion.
Em algumas das tradições neo-pagãs, a parte clara (primavera e verão) e parte escura (outono e inverno) da Roda do Ano são representadas pelo embate entre o jovem Deus Carvalho e o velho Deus Azevinho.
Não seriam ainda as crianças, que se sentam à sua sombra cansadas de brincar, os próprios seguidores da Fé, exaustos após longas horas de danças rituais?

(...)
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural —
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

* Esse texto é uma análise do poema O GUARDADOR DE REBANHOS (Livro homônimo), escrito por Fernando Pessoa na voz de um de seus heterônimos, Alberto Caeiro, no qual outro de seus heterônimos, Álvaro de Campos afirma, no prefácio, ser essa obra o próprio paganismo.
Trabalho para a disciplina de Literaturas da Língua Portuguesa, curso de Licenciatura em Letras, USP/2010.
* Interpretação da obra: Mara Barrionuevo
** Antiga Fé, poesia e literatura: tudo é cultura

Fonte:

Barrionuevo, Mara – A Deusa, Jornal O Exotérico, 2001
----------------------- Wicca, Jornal O Exotérico, 2002
----------------------- O Deus das Bruxas, Jornal O Exotérico, 2003
Gardner, Gerald – Bruxaria Hoje, Madras Editora, 2003
Grimassi, Raven – Os Mistérios Wiccanos, Ed. Gaya, 1997
Heinrich Krames e James Sprenger – Malleus Maleficarum, 1484 (Ed. Brasileira Rosa dos Tempos, 1991)
Murray, Margaret – The Witch-Cult in Western Europe, Oxford University Press, 1921
----------------------- O Deus das Feiticeiras, Oxford University Press, sem data
Prieto, Claudiney – Wicca A Religião da Deusa, Ed. Gaya, 2000
Santos, Maria Januária V. - História Antiga e & Medieval. Ed. África, 1992
Starhawk – A dança Cósmica das Feiticeiras, Ed. Record, 1979

domingo, 15 de janeiro de 2012

CELTAS

Há cerca de três mil anos, emergiu na Europa central uma civilização indo-europeia que chegou a dominar o norte do continente. Possuidora de uma cultura avançada, a estrutura de sua sociedade belicosa, aliada a sua capacidade de produzir bem feitas armas de metal, fez dela uma força a ser considerada. Os mercadores gregos que primeiro os encontraram no séc. VI a. C. chamaram-nos keltoi ou galatai. Hoje os conhecemos como celtas ou gálatas.

Os celtas têm sido descritos de diversas formas: como "conquistadores da Europa" ou, de forma menos lisonjeira, como "os bárbaros da Europa". Certamente, foram eles os primeiros europeus setentrionais organizados o bastante para ser marcados como uma civilização. No ápice de seu poder durante o séc. II a. C., o mundo céltico estendia-se da Turquia à Irlanda e da Espanha à Alemanha. Outras povoações célticas têm sido localizadas até na Ucrânia. 

Povos célticos habitaram as margens de grandes rios da Europa; o Danúbio, o Reno, o Rone, o Pó, o Tâmisa, o Sena e o Loire. Em consequência, esses povos estabeleceram ligações comerciais com seus vizinhos no Mediterrâneo e mercadorias do Oriente Médio têm sido descobertas em áreas de sepultamento célticas na França e Alemanha modernas. Todo o continente europeu ao norte dos Alpes estava unido em uma frouxa confederação de tribos que compartilhavam de uma cultura céltica comum.

Muito do que sabemos sobre os celtas vem de relatos de romanos e gregos, bem como de pistas arqueológicas que os celtas deixaram para trás. Para as civilizações do Mediterrâneo Clássico, os celtas eram um povo a ser temido e exércitos célticos irromperam na Itália, na Grécia e na Espanha antes de os romanos poderem contê-los. Guerreiros célticos foram recrutados para servir nos exércitos dos inimigos de Roma e tornaram-se os inimigos mais implacáveis de Roma.

Os celtas eram uma aristocracia guerreira e a destreza militar era considerada uma das virtudes mais fortes de um governante céltico. Eram também impetuosos e sua avidez por encontrar o inimigo em combate mostrou-se uma fraqueza que os romanos exploraram ao máximo. A civilização céltica na Europa continental foi praticamente...

... extinta em uma só década quando Iulius Caesar invadiu a Gallia em meados do séc. I a. C. O único grupo restante de povos célticos estava na Britannia e um século mais tarde os romanos iniciaram a conquista desse último bastião céltico. Os romanos foram seguidos pelos conquistadores germânicos e, por volta do séc. X, os celtas estavam reduzidos a uma sombra de sua antiga glória. A partir dessa época, o mundo céltico abrangia somente um pequeno número de nações pequenas e pobres, agarrada às margens atlânticas do continente europeu.

Os celtas eram considerados um dos maiores povos artísticos do mundo antigo e do primeiro período medieval. Deixaram um legado artístico em artefatos metálicos, muitos dos quais vistos como alguns dos mais belos jamais produzidos. Eles possuíam uma inclinação e vibração artísticas que sobreviveram aos séculos. Quando os celtas se converteram ao cristianismo, essa capacidade artística foi canalizada para a produção de requintados objetos devocionais, incluindo manuscritos iluminados que ainda surpreendem o público com suas cores e beleza complexa. 

Acima de tudo, os celtas são lembrados por sua enigmática assinatura artística: complexos padrões entrelaçados e decoração espiralante que embelezaram os esforços artísticos dos celtas por mais de mil anos.
Através desse legado artístico e também por meio dos mitos e lendas escritos por escribas célticos tardios podemos compreender um pouco do mundo desse povo céltico; como viviam, a quem adoravam, como pensavam, como lutavam e como celebravam a vida. Sua civilização alcançou a maior parte da Europa em algum ponto de sua história e permanece como uma das mais enigmáticas e mal compreendidas entre todas as grandes culturas do mundo. Esteja pronto para cair sob o encanto dos celtas ao viajar por seu rico e colorido mundo.

Fonte: Konstam, Angus. Historical Atlas of the Celtic World. Mercury Books, London, 2003. ISBN 1-904668-01-1.
Tradução: Bellovesos
Jornal O Bruxo Pernambuco

sábado, 7 de janeiro de 2012

Vivendo a Lua Cheia de cada Mês ...


         Já que 2012 é um ano regido pela Lua e a Lua Cheia exerce grande poder sobre a nossa vida e deve ser celebrada de modo especial, resolvi postar alguns rituais simples e fáceis para serem realizados na primeira noite de Lua Cheia de cada mês do ano e assim mantermos a conexão com nossa Grande Deusa durante todo o ano. Fique de olho no calendário e celebre a Lua!
JANEIRO: Comemore a primeira Lua Cheia do ano acendendo uma vela branca no primeiro degrau de uma escada de sua casa (pode ser uma escada simbólica, feita com livros, por exemplo). Isso significa que você está disposto a receber todas as Luas do ano com amor e fé. A Lua agradecerá e um importante elo de Magia se fará entre vocês.
FEVEREIRO: A Lua Cheia de Fevereiro pode presentear você com um mágico amuleto. Colha sete folhas de árvores diferentes e deixe-as “dormindo” sob uma pedra da lua nesta noite. Na manhã seguinte, coloque as folhas em um saquinho da cor do seu signo e leve-o com você. Este amuleto lunar tem o poder de aumentar nosso magnetismo pessoal.
MARÇO: Este é o mês do Ritual dos Elementais. Para atraí-los faça nessa noite uma “cara de maçã” utilizando cravos-da-Índia para fazer os olhos, nariz e boca. Coloque a maçã em um recipiente com um pouco de água e deixe dormir no batente da sua janela. Esta antiga brincadeira atrai os elementais, que trazem ao lar a Magia e a alegria.
ABRIL: Na Lua Cheia de Abril, devemos fazer uma Magia em homenagem aos Elfos. Coloque em sua janela doces e balas coloridas dentro de um círculo feito com açúcar e vá dormir. Dizem que, nesta noite, os elfos saem para dançar e agradecem sua oferenda, proporcionando dias de muita alegria.
MAIO: A Lua Cheia de Maio deve ser dedicada à busca do amor verdadeiro. Se você ainda não encontrou o seu, esta é uma boa oportunidade. Nesta noite, olhe para a Lua e peça que ela lhe traga o seu amor verdadeiro. A Lua de Maio é a Lua dos Amantes. Dizem que, do alto, ela sempre encontra a nossa metade e traz até nós.
JUNHO: A Lua Cheia de Junho tem de ser bem festejada! Dizem que esta é a Lua da alegria, da dança e da música. Nesta noite divirta-se com a Lua! Vista-se de branco, coloque uma música e dance a Dança da Lua com seus próprios passos, obedecendo sua intuição. A Lua emocionada vai agradecer. E é incrível como esse ritual tem o poder de nos revigorar!
JULHO: A Lua de Julho é a Lua das Crianças, a Lua de contar histórias. Uma lenda antiga diz que quem contar uma história muito bem contada para alguém, nesta noite, constrói seu destino, pois a Deusa Lua tem, neste dia, o poder de transformar as histórias contadas em histórias reais. A criatividade é seu instrumento; e o resultado, seu destino!
AGOSTO: A Lua Cheia de Agosto é a Lua da Fertilidade. Faça uma Magia com esse fim. Peça um caminho fértil e próspero fazendo nesta noite o plantio simbólico dos grãos. Pegue onze grãos diferentes e enterre-os nessa noite. Eles simbolizam o potencial que todos temos. Peça à Lua que transforme esse potencial em realizações. Esta é a noite ideal para isso.
SETEMBRO: A Lua de Setembro ensina uma Magia amorosa muito especial. Faça um desejo de amor. Coloque em um pires sete pétalas de rosas e deixe-as sob o luar. No dia seguinte, verifique quantas pétalas foram levadas pelo vento. Quanto maior o número de pétalas levadas, maiores as chances de ver seu desejo realizado.
OUTUBRO: Esta é a “Lua das Bruxas”. Aproveite e faça uma Magia antiga. Acenda uma vela branca e peça paz, uma rosa e peça amor, e uma amarela e peça prosperidade. Do lado de cada vela, deixe um botão de rosa da mesma cor. No dia seguinte, ofereça o botão branco para quem precisa de paz, o rosa para quem precisa de amor e o amarelo, prosperidade. É oferecendo que se recebe. A grande sabedoria está em saber dividir.
NOVEMBRO: A Lua Cheia de Novembro é a “Lua do Portal”, pois é por ela que os seres mágicos que invadiram nosso mundo (Haloween) voltam para seus mundos encantados. Devemos despedir-nos deles agradecendo por todas as alegrias que deixaram. E se nesta noite puder observar a Lua, verá uma pequena multidão de seres entrar por ela.
DEZEMBRO: A última Lua Cheia do ano ensina uma Magia de fé. Nesta noite, faça uma lista com todos os desejos que realizou durante o ano. Conte quantos foram, enterre um grão qualquer para cada desejo realizado e agradeça à Deusa da Magia. peça a renovação de sua fé para que, no próximo ano, muitos outros “grãos de desejos” possam ser plantados.